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Ações de empresas “verdes” valorizam

Ações de empresas com ações sustentáveis valorizam.

BM&FBOVESPA e instituições criam o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) como referência para investimentos socialmente responsáveis.

Divulgação
Por: Kelly Monteiro
Em: 16/09/2009

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Produzir sempre, porém pensando em não prejudicar o planeta e com atenção à qualidade de vida das pessoas, é a meta que cresce mundialmente entre as empresas preocupadas em ser socialmente responsáveis e sustentáveis. Tanto que também se tornou uma tendência mundial, por parte de quem investe em ações, procurar essas empresas para aplicar seus recursos. É o que tem sido chamado de “Investimentos Socialmente Responsáveis” (SRI), ou seja, os investidores consideram que empresas sustentáveis geram valor para os acionistas, em longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais.

No Brasil, esta tendência cresce cada dia mais. Tanto que a BM&FBOVESPA, em parceria com instituições como a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), Associação Nacional dos Bancos de Investimento (ANBID), Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC), Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Corporação Financeira Internacional (IFC), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Instituto ETHOS e Ministério do Meio Ambiente, criaram um índice de ações que é um referencial para os investimentos socialmente responsáveis: é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

O ISE reflete o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial, e também atua como promotor das boas práticas no meio empresarial brasileiro. “Ter suas ações listadas nesse índice demonstra que a companhia está preocupada com a sustentabilidade dela e do meio em que vive. Passa a ser vista como interessada em perenizar sua atividade, ou seja, continuar com o negócio por muito tempo se adequando às praticas saudáveis de sustentabilidade”, diz Rogério Marques, coordenador de Índices de Ações da BM&FBOVESPA e responsável técnico pelo desenvolvimento desses indicadores na Bolsa.

Geralmente, o investidor destas empresas é engajado. É aquela pessoa que, por comprometimento pessoal, decide privilegiar as empresas que atuam de forma sustentável, com respeito a valores éticos, ambientais e sociais. Ele não quer se envolver com empresas que poluem o meio ambiente ou que apresentam problemas com direitos humanos. Está disposto a pagar um valor maior pela ação de empresas que privilegiam os três pilares de sustentabilidade: econômico, ambiental e social. São exemplos de empresas com este perfil, classificadas pelo ISE: Natura, Bradesco, Embraer, Eletropaulo, Sadia, Perdigão, Odontoprev, Telemar, Unibanco, entre outras.

Entre as vantagens para a empresa que recebe o selo de qualidade “ISE” está ser reconhecida pelo mercado como empresa que atua com responsabilidade social corporativa. Além disso, ela também será notada como empresa com sustentabilidade no longo prazo e preocupada com o impacto ambiental das suas atividades. Marques observa que o fato de a empresa participar do índice mostra que ela, ao responder o questionário de avaliação e ter esses dados analisados pela FGV, gerencia adequadamente os riscos da sua operação. “O investidor, assim, torna-se acionista de uma empresa que trata do seu negócio com muita responsabilidade e que, por isso, pode ser mais rentável do que as outras no longo prazo”.

Pensar em sustentabilidade não é apenas um modismo. No Brasil, este movimento começa a se consolidar, tanto que aumentou o patrimônio dos fundos de investimento sustentável nos últimos anos, a atuação de investidores institucionais quanto ao investimento de seus recursos em empresas sustentáveis, a melhoria do marco regulatório em questões ambientais e sociais. “Nesse sentido acreditamos que a preocupação com sustentabilidade no Brasil é real, ou seja, além de haver uma pressão dos investidores e da sociedade sobre as empresas, existe uma conscientização das próprias companhias quanto à importância da sustentabilidade para a perenidade dos seus negócios”, conclui.


*Rogério Marque é economista formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), fez MBA em finanças pelo IBMEC-SP. Atua a mais de 25 anos no mercado de capitais e atualmente é o professor em cursos de pós-graduação e de formação e especialização no mercado financeiro e de capitais.

 

 

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