Um novo olhar sobre a fé

O psicólogo e psicoterapeuta Renner Cândido é o convidado da VitaPlena a explicar o papel da espiritualidade para quem opta por qualidade de vida e sustentabilidade. Não estamos falando de religião específica, mas de fé. Entenda isso melhor:
Foto: Divulgação
Por: Renner Cândido
Em: 01/07/2009
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Ter fé faz bem à saúde física e emocional, não importa a religião ou a falta desta. Basta crer, basta ter fé para vivermos mais saudáveis e mais felizes. Essas são as conclusões mais atuais com que a ciência nos presenteia e espera-se, com isso, que possamos acrescentar ao nosso jeito de funcionar “mais lucidez e independência emocional”.
“A fé move montanhas”. Quem não conhece essa frase? A fé faz parte da nossa constituição e tem como consequência impulsionar mudanças que a maioria de nós duvida. Podemos transformar qualquer tipo de experiência negativa em algo enriquecedor. É por meio dela que conseguimos vislumbrar a luz no fundo do túnel quando tudo parece uma eterna escuridão.
Nos últimos anos, diversos estudos analisaram a atividade cerebral de quem ora ou medita, possibilitando novos conhecimentos sobre a fé. De acordo com um período mensal, desde 2000, mais de 6.000 estudos sobre a relação entre religião e saúde foram publicados nos Estados Unidos. Um exemplo é o trabalho da Universidade de Pittsburgh, onde mostra o aumento de três anos na expectativa de vida de quem frequenta a igreja. Há outra pesquisa que demonstra a redução do hormônio associado ao estresse, o cortisol, em indivíduos religiosos. De acordo com a mesma revista, no Canadá, cientistas da Universidade de Toronto afirmam que acreditar em Deus reduz o estresse e a ansiedade. Em outro estudo, portadores do vírus HIV com alguma crença espiritual apresentam níveis maiores das células de imunidade CD4.
Já sabemos que tanto a prece como a meditação, por trazer uma sensação de estar alheio ao mundo externo, tem o poder de diminuir a ansiedade. O neurocientista Andrew Newberg, estudioso das manifestações cerebrais da fé há pelo menos 15 anos, constatou que as práticas religiosas como a prece ou meditação acionam, entre outras regiões do cérebro, o lobo frontal, responsável pela capacidade de concentração e a diminuição da ansiedade. O lobo parietal fica menos ativo, com isso diminui a noção de tempo e espaço e dá mais consciência de nós e do mundo.
De acordo com a neurologista Elizabeth Quagliato, “na neurologia não existe nada que prove que rezar cure mais que qualquer outro tipo de estímulo cerebral positivo... Ela nos deixa mais serenos, diminui a ansiedade e a tensão em situações extremas... Ela funciona como mais um entre tantos outros estímulos que o cérebro recebe o tempo inteiro”.
Dois estudos canadenses liderados pelo professor de psicologia Michael Inzlicht, da Universidade de Toronto, mostram que quem crê em Deus tende a lidar melhor com os erros, uma evidência de que as pessoas religiosas ficam mais calmas diante deles.
Ao realizar um amplo estudo de 42 pesquisas diferentes, o psicólogo americano Michael McCullough descobriu que as pessoas altamente religiosas tinham 29% a mais de chance de estarem vivas, em determinado momento do futuro, que as demais. A religiosidade tornaria mais fácil resistir a tentações nocivas à saúde, como o álcool e o fumo.
A conclusão é de que não há estudos que confirmem que as atividades religiosas tenham efeito de cura na saúde física. O que se pode provar é que a religião pode ajudar a superar momentos difíceis, fazendo-nos sentir mais autoconfiantes e melhores, por meio da fé. Com isso, consequentemente auxilia na cura das doenças psicossomáticas, ou seja, aquelas causadas pela emoção.
Acredito que estamos, mesmo que de forma lenta, instaurando por intermédio do conhecimento um novo olhar sobre a fé, trilhando um caminho que nos leva à clareza necessária para distanciar de nós o clássico papel de “meros fantoches”.
Ter fé significa existir de certo modo. É impossível vivermos sem ela, uma vez que é a propulsora do bem-estar humano. O problema é quando ela é utilizada por aqueles que se sentem encantados e seduzidos por sua utilização em benefício próprio.
Falo dos “caciques da fé”, aqueles que se sentem “coronéis” e não conseguem ter uma percepção real de que a vida é “um instante”. Imortalizam-se em seu mundo psicótico e deliram a sua onipotência em cima da necessidade cristalina que as pessoas têm de adotar líderes para exercer a fé. Gastam seu tempo na tentativa de perpetuar seu sentimento de onisciência, criar herdeiros e substitutos do trono e alimentar a ilusão de manipulador.
A inteligência é o único meio que possuímos para nos defender daqueles que usam e abusam da nossa fé.
Renner Cândido Reis é psicólogo e psicoterapeuta,
especialista em psicoterapia psicanalítica - CRP-09-03157
Articulista do Jornal Diário da Manhã – 30 anos de existência
Consultório: Av. Dep. Jamel Cecílio, nº 3310, sala 602
Jardim Goiás - Goiânia / Goiás - Tel.: (62) 7813-1336
psirennerreis@ig.com.br
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