Orgânicos: prazer e responsabilidade em consumir

Bem informados, exigentes na hora de se alimentar e preocupados com o bem-estar do planeta: descubra o perfil do consumidor de produtos orgânicos
Fotos: Shirly Glikas e Divulgação
Por: Kelly Monteiro
Em: 04/11/2009
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Você sabe como tem se alimentado? Já parou para pensar no que tem levado à mesa na hora do almoço, por exemplo? E que tipo de comida seus filhos consomem? Se, na correria do dia a dia, deixamos esses “detalhes” de lado e esquecemos o quanto é relevante para a saúde consumir alimentos de boa procedência, saudáveis, e mais do que nunca, orgânicos, é hora de repensar nossas atitudes. Afinal, aumenta o número de pessoas, consumidores conscientes que estão aderindo aos orgânicos, buscando uma alimentação mais saudável na tentativa de resgatar um tempo em que ainda era possível ter à mesa alimentos frescos, de boa qualidade biológica e livres de agrotóxicos.
E qual é o perfil deste novo consumidor? Pesquisas apontam que são pessoas bem informadas e exigentes em termos de qualidade. Geralmente, o consumidor orgânico freqüenta feiras verdes, é profissional liberal, a maioria (66%) do sexo feminino, casado, com dois filhos em média, com idade entre 31 e 50 anos e com formação superior. São pessoas de classe média, com renda familiar mensal em torno de 12 salários mínimos. Outras características são o hábito de praticar esportes (54,9%) com freqüência e um estilo de vida que privilegia o contato com a natureza, o que faz com que 63% freqüentem parques regularmente. Outra característica marcante do consumidor orgânico é ser fiel e constante: 58,8% freqüentam semanalmente a feira verde. Esses resultados demonstram que a feira verde de produtos orgânicos cativa o público e é, portanto, um espaço privilegiado de educação e articulação dos consumidores. Outro dado interessante, apresentado pelo instituto de pesquisa GfK, é que a capital mineira, Belo Horizonte, é onde mais se consome orgânicos: 17%. Depois dela vem Belém (14%), São Paulo (12%), Fortaleza (10%) e Recife (9%). Já as que estão abaixo da média de consumo nacional são Salvador (7%), Curitiba (5%), Rio de Janeiro (4%) e Porto Alegre (3%).
“Os consumidores de orgânicos são pessoas inteligentes, de visão ampla, que se preocupam com a sua saúde, com o meio ambiente e com a sociedade”, diz Leandro Farkuh, diretor da BioBrasilProducts, empresa produtora de snacks orgânicos de frutas brasileiras. “O mercado de alimentos orgânicos cresce muito em todo o Brasil, o brasileiro se preocupa bastante com a sua saúde e beleza, tem costume de se alimentar com alimentos frescos e saudáveis, e está exigindo cada vez mais que estes alimentos sejam de origem orgânica e certificados. Não querem consumir agrotóxicos, conservantes, aromas e corantes químicos. Procuram alimentos de verdade, cuja produção não destrua o ambiente. Alimentos que sejam produzidos por empresas responsáveis socialmente e que utilizem embalagens recicláveis. Isto é o reflexo da evolução da sociedade, do crescimento das novas gerações, que antes de comprar um produto se preocupam com o todo”, complementa.
Segundo a doutora em ciência dos alimentos, Neide Botrel Gonçalves, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os orgânicos conquistam cada vez mais adeptos por serem mais saborosos e frescos do que os cultivados de maneira convencional: as frutas, por exemplo, são mais firmes e possuem mais suco. O valor nutricional dos produtos livres de agentes químicos também é alvo de estudos da Embrapa. Verificou-se, nos alimentos produzidos a partir de técnicas de plantio orgânico, um maior teor de matéria seca, ou seja, há um menor índice de nitrato, substância que pode se tornar cancerígena se for ingerida em alto teor.
Além disso, outra pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, no município de São Paulo, demonstra que os compradores de legumes e verduras têm consciência da toxidade dos produtos cultivados com agrotóxicos e da dificuldade em produzi-los sem esses agrotóxicos. Essas pessoas admitem pagar entre 20 e 30% a mais pelos produtos orgânicos. Entretanto, as dificuldades de produção têm sido dribladas pelas empresas realmente interessadas em investir em sustentabilidade. É o caso da Native Brasil, empresa que produz alimentos orgânicos como granola, cafés, açúcares, achocolatados, azeites e sucos. “A conscientização de que biodiversidade é um elemento importante na vida e que sua contribuição para a produção de alimentos mais saudáveis é essencial, reforça ainda mais a nossa preocupação com a sustentabilidade”, resume Hélio da Silva, gerente nacional de vendas da Native Brasil. “Por isso, produzir alimentos sustentáveis significa dizer que estamos trabalhando para um mundo melhor, seja ele para o ser humano ou para a natureza”. A empresa tem como lema a Sustentabilidade em Ação, apoiando a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias em todas as áreas de atividade empresarial e social. Em 2009, o sistema de produção orgânica de açúcar e álcool da Native recebeu o selo EcoSocial, do Instituto Biodinâmico (IBD).
Fontes:
DAROLT, M.R. Agricultura Orgânica: inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 2002. 250 p.: il., fotos. ISBN 85-88184-09-5.
www.biobrasilproducts.com.br
www.consumidormoderno.com.br
www.consumidororganico.hpg.ig.com.br
www.idec.org.br
www.nativealimentos.com.br








