Essa rua tem saída

É o lema do projeto sócio ambiental Oficina Arte e Luz da Rua, que completa 19 anos resgatando cidadania, através do bagaço da cana-de-açúcar, que é a matéria prima geradora de renda para pessoas em situação de rua.
Por: e Fotos: Ilana Alves
Em: 06/11/2009
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Tudo começou em 1999 com um grupo de moradores de rua que frequentava a Casa de Oração da Pastoral do Povo da Rua pertencente à Arquidiocese de São Paulo, na região da Luz, centro da cidade. Eles tiveram a idéia de manter um trabalho de geração de renda para pessoas sem moradia.
A vontade foi trabalhada em conjunto com um membro da Casa de Oração, a alemã Hedwig Knist - coordenadora da Oficina Arte e Luz da Rua - que está no Brasil há 19 anos, e desde o início apostou na iniciativa.
O plano só foi colocado em prática em 2000 depois de muito trabalho de pesquisa para desenvolver a técnica de reaproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar. Com o tempo, o produto foi aperfeiçoado e hoje é produzido de forma profissional para ser comercializado.
A missão do grupo é resgatar a cidadania de pessoas em situação de rua e a oficina é o local onde elas podem aprender gratuitamente técnicas profissionais que possibilitem a reinserção no mercado de trabalho.
Dentre os objetos confeccionados estão, luminárias, porta-retratos, portas-vela, painéis, grandes telas de decoração, prendedor de guardanapos, caixas, enfim, diversos utensílios decorativos a partir da reciclagem do bagaço da cana-de-açúcar. O preço das peças varia de acordo com o tamanho e design a ser produzido, mas o valor gira em torno de R$ 30,00.
De acordo com Hedwig, coordenadora do projeto, as peças são resistentes e tem grande durabilidade. “O mais importante é proporcionar para essas pessoas capacitação profissional e dar a elas novas oportunidades” explica Hedwig, ao mostrar orgulhosa, as peças prontas para serem vendidas.
Para conseguir material suficiente e suprir a demanda, todos os dias integrantes da Oficina visitam feiras-livres na região central de São Paulo e recolhem o bagaço da cana que é descartado. Com um grande volume de matéria-prima, é possível produzir por mês cerca de 400 peças recicladas e ainda aceitar encomendas.
Antônio Carlos, 55 anos. Está há 6 anos trabalhando com molde e montagem de tela para a confecção de luminárias de modelos diferentes. “Para mim, este é um trabalho de artesanato. É importante para conquistar novas áreas profissionais.”
Atualmente, 20 pessoas, com idades entre 25 e 60 anos, fazem parte da equipe, recebendo por mês uma ajuda de custo no valor de R$ 100,00. Porém, o mais importante é que no espaço elas aprendem o que significa ter responsabilidade, cumprindo horário de entrada e saída e tendo funções definidas que vão desde produção à venda dos objetos. Através desse processo de resgate da auto-estima, esses moradores de rua se sentem úteis, produtivos e inseridos na sociedade.
“Estou desempregada e vim em busca de profissionalização para conseguir uma vaga no mercado de trabalho” afirma Maria da Conceição dos Santos, 39, fazendo ficha de inscrição do projeto.
No final do ano dá para tirar um dinheiro extra. É a época de troca de presentes. Então o grupo preparou uma agenda especial e vai realizar em várias datas o Bazar de Natal. Para conferir as datas você pode acessar o site www.arteeluzdarua.com.br
Toda ajuda é bem-vinda.
O grupo está precisando de impressora e computadores usados. Eles também precisam de tinta, material elétrico e tela para pintura, nesse caso deve ser material novo.
Onde comprar
Rua Djalma Dutra, 69 – Luz, centro de São Paulo. Telefone: (11) 3313-7336. O endereço eletrônico é: WWW.arteeluzdarua.org
O grupo também tem parceria com a empresa Ted Albuquerque Produções Culturais, através da feira de artesanato “Como assim?” que desde de 2001 faz sucesso no Shopping Center 3, na Avenida Paulista, centro de São Paulo. O evento acontece aos domingos, recebendo em média 20 mil pessoas.
Confira o passo-a-passo da Reciclagem do Bagaço da Cana-de-açúcar na galeria de fotos abaixo.
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